Guia
Como criar um repertório de aberturas
Um repertório não é uma pilha de lances decorados. É um conjunto de decisões que você toma uma vez, em casa, para não precisar tomá-las no tabuleiro com o relógio correndo.
A maioria dos jogadores perde tempo e confiança na abertura pelo mesmo motivo: improvisa em posições que outras pessoas já estudaram. Um repertório resolve isso. Veja como criar um que você realmente continuará usando.
O que realmente é um repertório
Um repertório de aberturas é sua coleção pessoal de lances e variantes para as duas cores. Para cada lance razoável do adversário no início da partida, ele guarda a resposta que você pretende jogar. A ideia é simples: menos decisões no tabuleiro, mais posições conhecidas e mais tempo no relógio para a parte decisiva da partida.
Ele não precisa ser grande para ser útil. Um repertório que cobre as respostas mais frequentes vale mais do que um enciclopédico que você nunca revisa.
Comece pelas aberturas que você já joga
É tentador escolher aberturas pela fama. Resista. Observe suas próprias partidas recentes e anote o que realmente jogou com as brancas e como respondeu a 1. e4 e 1. d4 com as pretas. A preparação compensa primeiro nessas posições, porque você voltará a elas na próxima semana.
Se você ainda não tem um sistema, escolha aberturas cujos planos típicos consegue explicar em uma frase. Uma preparação compreendida sobrevive a uma surpresa. Uma preparação apenas decorada, não.
Crie repertórios separados para brancas e pretas
Com as brancas, você escolhe a abertura. Com as pretas, responde a ela. São tarefas diferentes, por isso mantenha repertórios separados em vez de um arquivo enorme. O treino também fica mais honesto: você pode praticar suas defesas sem que as linhas confortáveis de brancas melhorem artificialmente o resultado.
Até onde uma linha deve ir?
Até chegar a uma posição que você entende, e não além. Para a maioria dos jogadores, isso fica entre os lances oito e doze em linhas tranquilas. Linhas agudas e forçadas, nas quais um erro decide a partida, podem exigir mais profundidade.
Um bom ponto para parar é uma posição cujo plano você consegue explicar sem ajuda: quais rupturas de peões importam, onde colocar as peças e o que o adversário busca. Se ainda não consegue, a resposta não é adicionar mais lances. Analise a posição com um motor e um banco de partidas até entender as ideias.
Crie ou importe
Criar lance por lance no tabuleiro é mais lento, mas ensina mais, pois cada ramo registra uma decisão sua. Importar é mais rápido. Arquivos e textos PGN do Lichess, Chess.com, ChessBase e programas semelhantes entram em um repertório, assim como estudos do Lichess.
Um repertório pronto é uma terceira opção razoável quando você não sabe como começar. Trate-o como rascunho. Exclua as linhas que nunca jogará e reescreva as que não combinam com você. Um repertório importado só se torna seu depois que você o questiona.
Encontre as lacunas antes do adversário
Todo repertório tem lacunas: respostas razoáveis para as quais ninguém alertou você. A forma eficiente de encontrá-las é comparar suas linhas com o que jogadores do seu nível realmente jogam em um banco de aberturas. Depois, procure os lances comuns que sua preparação não responde.
É isso que o Localizador de pontos cegos do Chess Prep Pro faz. Ele compara todo o repertório com o banco de partidas e lista os lances prováveis do adversário que você não cobriu. Fazer isso manualmente também funciona. Apenas leva mais tempo.
Como fixar o repertório
Reler suas linhas parece produtivo, mas quase nunca é. Reconhecer não é recordar. Você pode concordar com um lance que jamais encontraria sozinho. A solução é tentar produzir o lance a partir da posição, sem nenhuma dica.
Por isso, o treino do Chess Prep Pro mostra uma posição do seu próprio repertório e espera. A repetição espaçada decide quando ela voltará. Se você acertar, o intervalo aumenta. Se errar, ela volta antes. Assim, o tempo de revisão se concentra onde sua memória é mais fraca.
Sessões curtas e regulares são melhores do que longas e ocasionais. Alguns minutos na maioria dos dias mantêm o repertório mais firme do que uma hora a cada duas semanas.
Mantenha tudo sob controle
Repertórios crescem. Sem cuidado, ficam cheios de linhas que você nunca verá, e a revisão vira uma tarefa que você evita. Apare de propósito: corte lances do adversário que quase nunca aparecem em partidas reais, limite a profundidade das linhas tranquilas e use filtros quando quiser praticar apenas as linhas principais.
Cinco erros que vale a pena evitar
- Preparar aberturas que você não joga.Cubra primeiro suas partidas reais.
- Chegar ao vigésimo lance logo no primeiro dia.Profundidade não vale nada se você não tem resposta para uma linha secundária no quarto lance.
- Decorar sem entender.Se você não consegue explicar o plano, não encontrará o lance quando a ordem mudar.
- Apenas reler.A recordação é a parte que você leva para a partida.
- Nunca rever os erros.As posições que você errou são as que merecem sua próxima sessão.
Próximos passos
Três perguntas surgem naturalmente deste guia, e cada uma tem seu próprio artigo: qual deve ser o tamanho de um repertório, até onde cada linha deve ir e com que frequência revisá-lo. Para entender por que tudo isso é necessário, comece por por que esquecemos as aberturas.